28/02/09: E la nave và
Está transcorrendo o julgamento da galera do The Pirate Bay e, como no filme de Felini, caminhamos para um final surrealista …
Se vc estava em Marte não sabe o que está rolando, vou te dar um resuminho: muito antes do mundo corporativo falar de cloud computing, uns nerds da pesada (comandados por Bram Cohen) bolaram o protocolo BitTorrent. Funciona assim: cria-se um pequeno arquivo “apontador” , que indica onde está o arquivo orginial. Quando o arquivo começa a ser acessado, antes mesmo do término do upload, ele já está sendo compartilhado em pedaços de 128/256kb. Quanto mais pessoas estiverem compartilhando o arquivo (ou partes dele) mais rápido e estável é o download, mesmo em conexões discadas. Coisa de gênio (leia mais aqui).
O maior e mais popular site indexador de apontadores é o nosso querido The Pirate Bay (tem outros, muitos outros), sediado na Suécia e que tem uma postura do tipo “caguei pra vcs da indústria”, que ele fazem questão de cultivar carinhosamente.

E como a metáfora aqui é cinema, entra em cena (ou embarca no navio) o Íncrivel Exército de Brancaleone, pra defender a indústria fonográfica da pirataria patrocinada pelos suecos. A MPAA, cansada e desgastada por correr atrás de velhinhos, adolescentes e donas de casa, resolveu que os peixes maiores deveriam ser pegos. Dada a empáfia dos meninos do TPB (a Sony até reclamou, nesse julgamento, das cartas “irreverentes e hostis” que o pessoal do TPB manda em resposta aos pedidos para “apagar os arquivos”), eles foram escolhidos como os primeiros grandes alvos.
E começado o julgamento e passados os primeiros dias, ficou claro que a indústria está perdida:
# Para vencer o caso, a acusação precisa fornecer provas de que houve infração de direitos autorais. O site é acusado de “assistir e preparar o cometimento de infração de direitos autorais”. Não conseguiram: todas as provas que ligavam torrents ao Pirate Bay foram retiradas no segundo dia do julgamento, restando apenas as acusações relacionadas a “assistência em tornar disponível” trabalhos com direitos autorais.
# A acusação não conseguiu iniciar a apresentação no PowerPoint em um certo momento, não conseguia diferenciar megabytes de megabits, e não entendeu o conceito de cloud computing.
# Os cérebros da acusação estouram com a maneira caótica e livre da administração do Pirate Bay, ao tentar adivinhar quem realmente é o encarregado do site: “Alguém precisa decidir no final pela colocação de certo texto ou gráfico”. Fredrik Neij, do site, responde: “Por quê? Se alguém acredita que um novo texto é necessário, ele simplesmente o insere. Ou, se um gráfico é feio, alguém faz um melhor. A pessoa que quer fazer algo simplesmente o faz”. Comunidades colaborativas e sem fins lucrativos é o tipo de conceito que não entra na cabeça da acusação…
# Quando os parcos conhecimentos tecnológicos da acusação acabaram, as inquirições passaram a ser sobre a opinião dos SysOps do site sobre copyright, pedofilia, etc… A ponto de Peter Sunde Kolmisoppi (Brokep) ter apontado o caráter “político e social” das perguntas.
O Gizmodo fez uma avaliação do nono dia e vcs podem perceber que a coisa virou de vez para a indústria fonográfica…
O processo tem feito correr muita tinta por todo o mundo e até o Partido Comunista sueco já veio a público mostrar o seu apoio aos responsáveis pelo site. Os políticos locais expressaram a sua opinião por carta, lembrando que a Suécia tem a tradição histórica de defender a liberdade de expressão e que a Constituição assegura o direito ao acesso universal e gratuito ao conhecimento, não descartando mudanças na legislação para acomodar esse tipo de manifestação social. O PC norueguês (sim, ainda existem muitos partidos comunistas) criou o File Sharer, para que os “piratas” identifiquem-se: até hoje, haviam 2.651 identificados. Milhares de sites estão repercutindo o julgamento e agora milhões de usuários “normais” sabem o que é o The Pirate Bay.
Em poucas palavras: o Exército Brancaleone da indústria foi, de longe, a melhor divulgação para os nossos piratas preferidos.
E vc, pessoinha leitora do IF ??? Quer mostrar que vc está de antena ligada na parada ??? Aqui tem o logotipo do site e aqui a simpática fita pirata. Reproduza e distribua: nada pode impedir o conhecimento e a cultura de se espalharem.
Icemos as velas: os mares estão quase liberados !!!

Esse é o ônibus em que os réus, os fundadores do Pirate Bay Gottfrid Svartholm Warg (conhecido como Anakata), Peter Sunde Kolmisoppi (Brokep) e Fredrik Neij (TiAMO), chegam para o julgamento, todos os dias. Estilo é tudo nessa vida …






